Constelações Familiares no judiciário

25.07.2019

O Novo Código de Processo Civil e a Resolução 125 do CNJ trouxeram para o Judiciário novas perspectivas acerca da solução de conflitos. No âmbito do Direito de Família, práticas alternativas à judicialização, como a mediação, a conciliação e as constelações familiares têm sido consideradas  mais adequadas e eficientes. Com isso, movimentos a favor da cultura do diálogo e da paz tem assumido o lugar da tradicional cultura do litígio.

 

 

Os métodos tradicionais, baseados no pensamento cartesiano, individualista e no ganha-perde não mostram-se suficientes e eficientes. Na prática do Direito de Família principalmente. Nesse âmbito, percebemos a real necessidade do olhar sistêmico, onde as origens e efeitos dos conflitos devem considerar elementos familiares, sociais, econômicos e quando necessários os judiciais.

 

Assim, novas perspectivas e  interpretações da realidade das partes são respeitadas por meio do não julgamento pessoal, da empatia e do entendimento das conexões, contextos, padrões envolvidos. O Judiciário passa a olhar com mais humanidade para as partes assumindo o papel não só de julgar mas de restabelecer as relações.

 

Neste sentido, a técnica das Constelações Familiares de Bert Hellinger, vem ganhando cada vez mais espaço dentro do Judiciário, ao aplicar os princípios sistêmicos, que ele chamou de ordens do amor, aos quais todos nós  independente de conhecermos ou não, estamos vinculados ao pertencimento, hierarquia e equilíbrio entre dar e receber.

 

Com a aplicação da técnica é possível  compreender a origem inconsciente dos desentendimentos, as crenças limitantes, padrões de comportamentos, traumas e exclusões ocorridas dentro do sistema familiar que se repetem ao longo das gerações. E o que significa cada princípio?

O pertencimento: todos têm o direito de fazer parte do sistema familiar, independente de terem cometido atos condenáveis ou reprováveis, ainda assim fazem parte. No entanto, muitas vezes as pessoas são excluídas, esquecidas. Imagine por exemplo uma menina que engravida e é expulsa de casa, um alcoólatra que envergonha a família, um filho que não foi reconhecido, alguém que faliu e se matou.

 

O sistema sempre busca a compensação, aquilo que se exclui volta de alguma forma para o sistema. Assim, é possível observar os mesmos padrões acontecendo nas gerações seguintes, mesmo que os novos membros da família não conheçam os contextos de seus ancestrais. A falta de pertencimento faz com que a pessoa tenha dificuldade de encontrar seu lugar no mundo, não consegue se estabilizar em um emprego, em  uma relação ou num negócio.

A hierarquia: dentro dos sistemas observa-se a ordem daquele que veio primeiro. Nos sistemas familiares em primeiro lugar vem o pai, segundo a mãe, e na sequência filho mais  velho, e assim por diante. No entanto, muitas vezes observamos que os papéis dos pais estão invertidos, o pai é muito amoroso e a mãe rígida, às vezes os filhos estão no meio do relacionamento dos pais com medo de perder o amor de ambos, o filho mais novo quer ocupar o lugar do filho mais velho, ou o filho quer ocupar o lugar de um dos pais que faleceu assumindo uma responsabilidade que não é sua. Quando os filhos se casam, a nova família passa a ter prioridade sobre a família de origem (pai e mãe), no entanto, ambos se comportam como se ainda vivessem como a família de origem deixando o relacionamento de lado. Esta dificuldade em entender e aceitar a hierarquia traz grande parte dos desequilíbrios familiares e também organizacionais.

O equilíbrio entre dar e receber: no sistema familiar os pais dão e os filhos recebem. A forma dos filhos retribuírem é passando o amor recebido para as próximas gerações, no entanto, muitas vezes os filhos querem retribuir o que receberam e acabam ocupando o lugar de pai dos pais. Da mesma forma existem relacionamentos que terminam, pois só um doa e o outro só recebe. Há possibilidade daquele que doa muito passar a ocupar um papel diferente dentro do relacionamento, como protetor ou infantilizando o outro, que se sente culpado ou menor por não conseguir retribuir. Não há troca, nem equilíbrio.

 

No âmbito judicial a técnica é eficaz na resolução de conflitos e pode ser aplicada em casos como guarda, violência doméstica, alienação parental, divórcio, atos infracionais, recuperação de menores, dissolução de sociedade, inventário, falência e muitos outros. A dinâmica fora do judiciário pode abordar temas como dificuldades financeiras, relacionamentos, distúrbios psíquicos, problemas de saúde, vícios, medos, traumas, enfim a tudo no qual se queira ampliar a consciência.

 

Como exemplo, considere uma Ação de Alimentos em que o Juiz possa  julgar apenas o valor da pensão. Qual é realmente o “valor” que está por trás daquela ação? Qual é realmente a necessidade da parte que briga? Muitas vezes, as partes não olham para a criança que está em meio ao conflito, somente para sua própria dor. Retribuem a ofensa ao companheiro (a), como punição e chantagem, não tendo inclusive nenhuma intenção de chegar a um acordo.

 

Quando o vínculo que se estabelece é o conflito todos os envolvidos sofrem. Os filhos, os familiares, o próprio judiciário que não consegue dar andamento às questões exatamente porque as partes querem manter o litígio por anos. Muitas vezes o custo é mais grave que o financeiro, são doenças físicas e emocionais dilacerando o núcleo familiar.

 

Em inventários que duram décadas, o que está por trás, apenas os bens? Não. Muitas vezes um dos herdeiros se sente excluído, não pertencente e como compensação por seu sofrimento quer que os outros paguem.


É comum perceber que as grandes necessidades das partes são emocionais, elas procuram no litígio explicações que não conseguiram em casa, buscam preencher o vazio da dúvida, a sensação da injustiça, o não dito e não ouvido por meio de um poder superior a elas.

 

Com aplicação dos princípios Sistêmicos e das Constelações Familiares é possível entender as diversas possibilidades por trás dos Conflitos e proporcionar às partes um real caminho para Paz!

 

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