Inquietações que abrem novos caminhos na vida e na advocacia

Sempre me inquietei em aceitar algumas coisas como são, sentindo-me um peixe fora d’água. Acredito que essa inquietação atinja todos, uns mais do que outros de acordo com a forma individual de experimentar o mundo, suas percepções e sentidos.

 

Revolto-me com a falta de educação, com o bom dia não dado, com o egoísmo cego, com a corrupção dos políticos, com a trancada no trânsito, com o ensino nas escolas, com a rivalidade entre as pessoas. Só que eu ficava transtornada, um pequeno ato desses me consumia, e o mau humor se instalava. Pensava: “Nasci no país errado, na época errada. Escolhi a profissão errada.”

 

Nos últimos dias, olhei com atenção a essas insatisfações, de forma a aceitar e acolhê-las e minorar meu sofrimento. Quando falo dias, na verdade, significa uns cinco ou seis anos, mexendo em feridas, deixando a inconsciência emergir, lidando com medos, raivas e culpas, emoções inerentes a nós humanos, a todos nós sem distinção.

Ao mesmo tempo que lidei com a dor, conheci ou reconheci o amor, a gratidão e a liberdade para sonhar. E foi aí que transformei minha visão de que não precisava me conformar com tudo, que me permitia ser um “inconformista”, adjetivo utilizado pelo autor Adam Grant, em seu livro “ORIGINAIS, como os inconformistas mudam o mundo”.

 

A identidade foi grande e me permiti sair da caixinha “Ué, eu posso mudar o mundo?? EU, posso mudar o mundo?? Eu posso mudar o mundo?! Eu quero promover uma mudança no mundo!!!” Este é um sonho, um sonho meu, mas que descobri não estar sozinha. E como todo sonho, ele pode ser grande, ideal, lindo, repleto de infinitas possibilidades. Sim, posso e quero sonhar assim, promover uma mudança no mundo, mas não no outro.

 

Não temos o poder nem o direito de mudar o outro. Seria muita audácia, prepotência, arrogância. Por que o meu jeito é o jeito certo? Existe o jeito certo? E o errado? Esqueça essas ideias e crenças de bipolaridade, esvazie seu copo de preconceitos, de ideias preconcebidas. Não pretendo mudar ninguém, deixei isso para trás porque mais jovem eu tinha essa pretensão inocente e egoísta de querer impor meu jeito de ser como se fosse certo e julgar quem não fosse assim, rotular.

 Então se a proposta não é mudar o outro? Como mudamos o mundo se não é através das pessoas? Mudamos a partir de nossas mudanças internas, de nossa expansão da consciência, através do autoconhecimento. A partir daí, podemos ver um encadeamento de transformações acontecendo ao nosso redor umas mais rápidas, outras mais lentas, umas aparentes, outras imperceptíveis.

 

É muito bom passar pelo processo de olhar para si mesmo com o mesmo olhar com que julgamos o outro, pois assim percebemos o quanto somos humanos, falíveis, frágeis diante dos nossos medos. Quando olhamos os que estão ao nosso redor e nos reconhecemos neles, surge a empatia, verdadeiramente nos colocando no lugar do outro. Gera identidade, e ao estarmos identificados na dor do outro, na fragilidade do outro, nos sentimentos ruins do outro, sentimos que somos todos iguais internamente, não importando a capa que nos veste.

 

As máscaras caem. Percebemos como julgar é arrogante, egoísta, prepotente. Aprendemos que da mesma forma que julgamos o outro, também o fazemos com nós mesmos, e nos culpamos com um rigor maior. Lidar com essas emoções negativas é sim terapêutico e transformador, porque só passando pelo caminho do reconhecimento desses sentimentos é que a luz pode entrar para clarear as ideias da bondade amorosa e compaixão consigo mesmo.

Mas temos que ter muito cuidado ao tomar contato com a dor. A dor é inerente a existência. Parafraseando René Descartes: “Sinto dor, logo existo”. Mas o sofrimento é o sentimento gerado pela dor. Passamos pelo sofrimento, para refletir o que e o porquê da dor. Mas devemos deixar o sofrimento também passar. Persistir no sofrimento é opção de cada um, mesmo que inconsciente, ou que tenha resultado de uma grande perda.

 

Uma lei universal e de senso comum é que tudo passa. A alegria passa, a beleza passa, a juventude passa, a felicidade, o dinheiro, a fama passa. O sofrimento também passa, e assim a falta de dinheiro, o desemprego, a crise. Estamos preparados para essas mudanças, sejam elas boas ou ruins? Muitas vezes não. Por isso é tão importante olhar para dentro de si e fortalecer seu espírito, sua alma, o verdadeiro ser que habita este corpo físico, ou simplesmente sua mente, se você não acredita que somos mais do que o material.

 

Então, quando nos conectamos com nosso EU, e conhecemos seu lado escuro, colocamos uma lanterna para enxergar melhor. "Só aos poucos o escuro se faz claro"(Guimarães Rosa). “Somente quando temos coragem suficiente para explorar a escuridão, descobrimos o poder infinito da nossa própria luz” (O cavaleiro preso na armadura, Uma fábula para quem busca a Trilha da Verdade, de Robert Fisher). 

 

Daí acontece a maior mudança que podemos imaginar, e todo o universo ao nosso redor sente essa vibração diferente e positiva. Meu sonho, de alguma forma, envolve essa visão de ajudar o outro a se perceber, facilitando uma mudança. Como advogada, quero a missão de atuar de acordo com este novo pensamento chamado de sistêmico, em que não olha para o conflito, mas para a pessoa que está inserida nesse conflito e seu sistema.

 

 

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