Nossas máscaras do ego

14.05.2018

Segundo a teoria freudiana da tripartição da psique, nossa personalidade é composta pelo id, superego e ego, que trabalham de forma conjunta moldando nossos pensamentos e comportamentos.

 

O id nos acompanha desde o nascimento, possuindo sua base no primitivo e instintivo do ser. Totalmente inconsciente, busca sempre o prazer imediato e ainda, atender nossas necessidades e desejos, independentemente de quais sejam e suas consequências.

Desde a tenra infância, notadamente a partir dos cinco anos, vamos aprendendo com o meio social em que vivemos e, principalmente com nossos pais, o que é certo e errado, o que fazer e o que não fazer, senso de moralidade e proibição, o que leva a construção do nosso superego.

 

Este é regulado pelo senso crítico e moral, trazendo-nos percepções de orgulho e mérito ao seguir regras sociais e ideais do politicamente correto. Ao mesmo tempo, apresenta uma consciência de punição e culpa quando transgredimos as regras com comportamentos considerados proibidos dentro do conceito de moralidade cada um.

Os desejos do id são regularmente suprimidos pelo superego...

...razão pela qual, o ego atua como um grande mediador entre os dois. Procura adequar os desejos do id na realidade vivenciada e pelo socialmente aceitável.

 

O ego está voltado a gerir os impulsos do id de forma que aconteçam em harmonia com o superego. Havendo aguda divergência entre ambos, terá que sopesar as consequências de cada ação satisfativa do id perante o moralmente condenável.

 

Portanto, servindo o ego para nos estruturar, o seu desequilíbrio ocorre quando o indivíduo perde a noção entre o desejo e a realidade (o que que cobiço fazer e o que posso fazer) tornando-se egocêntrico.

 

O sujeito deixa de perceber a dinâmica do todo, passando a ter uma visão introspectiva e inconsciente sobre suas necessidades não atendidas. E assim, vamos formando uma imagem fictícia de nós mesmos, baseada em percepções de uma realidade distorcida (interna ou externa), onde o ego tenta rebater qualquer situação que considere uma ameaça, utilizando-se de artifícios para burlar o sofrimento, desconforto ou angústia, em um movimento de proteção da psique.

Dentre os vários mecanismos de defesa listados pela psicanálise, saliento cinco que se destacam de forma rotineira nas interações humanas:  

 

- Projeção: quando não desejo lidar com minhas angústias internas, seja pensamentos, ações ou emoções, atribuo ao outro a característica indesejada. Como exemplo, julgo o quanto a outra pessoa é invejosa, sendo que este sentimento é por min sentido e reprovado internamente.

 

- Racionalização: ocorre quando, para fugir da culpa, o sujeito constrói uma desculpa para explicar ações que seriam desaprovadas pelo superego, ou para justificar suas ações contrárias aos pensamentos. Exemplo: o agressor que justifica sua conduta no comportamento da vítima - “ela mereceu” ou então, “foi melhor não ter conseguido a promoção, pois assim não terei que mudar de sala”.

 

- Formação Reativa: com medo de uma desaprovação social, a pessoa faz o oposto do que realmente deseja. Nesta conjectura, o sujeito vai agir de forma contrária aquilo que entende ser inadmissível, para esconder o que realmente quer. Um exemplo visível se percebe não aceita sua própria homossexualidade, agindo com um comportamento intolerante e agressivo diante de outros homossexuais.

 

- Intelectualização: incapacitado de lidar com as emoções geradas pela situação naquele momento, o sujeito reveste-se da lógica e de fatos para ignorar suas aflições. Exemplo: uma transferência repentina de cidade no trabalho, é explicada como uma possibilidade vantajosa para ocultar o medo ou ansiedade da mudança.

 

- Deslocamento: quando o objeto para o fim de realização do meu desejo não está acessível, o sujeito muda para outro análogo. O desejo primário pode ser mantido ou modificado para outro semelhante, mantendo a necessidade originária. Exemplo: Ao levar uma bronca do pai em casa, o menino vai para a escola e grita com o colega para “descontar” sua raiva.

 

Todos utilizamos os mecanismos de defesa do ego em diferentes graus de intensidade e de forma involuntária. O perigo reside quando estes mecanismos passam a predominar o funcionamento psicológico, tornando-se prejudicial ao sujeito.  

 

Quando eu descubro quais os meus desejos e aceito a realidade que tenho, posso estar em paz, porque meu ego está em equilíbrio, e passo a viver com uma imagem clara sobre quem sou.

 

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