Quanto mais você empurra, mais o sistema empurra de volta

19.12.2017

Você já ouviu falar de feedback de compensação? Quanto maior o nosso esforço ou mais agressiva for a intervenção, sem perceber podemos contribuir para o aparecimento de novos obstáculos.

 

Isso acontece quando nós buscamos solucionar um problema complexo com ações pontuais e lineares, sem a visão do todo. Em geral, diante de uma dificuldade nós tomamos decisões sem observar como aquele sistema funciona. Alteramos regras, demitimos funcionários, mudamos de endereço, alteramos a paisagem. Porém, mantemos as mesmas crenças arraigadas, modelos mentais e comportamentos tóxicos.

 

Nossa tendência diante do conflito é procurar a saída mais fácil ou a mais familiar. Tentamos "tapar o sol com a peneira" ou "apertamos o parafuso até que espane" e muitas vezes a tentativa de cura é pior que a doença. Em sistemas complexos as saídas mais fáceis reconduzem ao problema, no início parece ter resultados positivos, mas logo o sistema compensa provocando respostas que eliminam os benefícios dessa intervenção, chamamos de feedback de compensação.

 

Esse tipo de feedback envolve uma defasagem de tempo entre o benefício de curto prazo e o prejuízo de longo prazo. As respostas melhoram antes de piorar e, devido à defasagem, talvez leve muito tempo para que o problema volte a se manifestar. É buscar uma solução remediativa, ao invés de uma mudança generativa, mais envolvente, abrangente, e de maior proporção.

 

A mudança eficaz surge da ampliação de consciência diante do conflito, quando examinamos os motivos e as razões que levaram a ele, porque chegou onde chegou e o que está por traz do problema. Forçar uma solução é empurrar e quanto mais você empurra, mais o sistema empurra de volta.

Por que estou escrevendo sobre isso? 

Para dizer que muitos de nós no afã de solucionar problemas, acabam por piorá-los. Para questões complexas, o Pensamento Sistêmico é fundamental e deve vir muito antes do uso de ferramentas. 

 

Estamos experimentando as Constelações Familiares no Judiciário e na Advocacia, em um movimento de construção do consenso e busca da pacificação social. Muitos tem esquecido do pensamento sistêmico, de como os sistemas funcionam, do que está relacionado e conectado ao conflito, dos pequenos passos na mudança de paradigmas e comportamentos.

 

Muito estão concentrando esforços na fórmula mágica, em soluções rápidas e aparentemente simples. Movimentos que empurram as constelações como "salvação da lavoura" de questões pessoais, profissionais e institucionais. Dessa forma, o uso da ferramenta está sendo distorcido, mercantilizado, banalizado - como de fato costuma acontecer com o que parece novidade - assim, o descrédito virá a galope.

 

Forçar a barra não me parece muito inteligente. Peticionar constelações ou indicar vivências como uma ação massificada pode gerar por parte dos magistrados um desconforto, sensação de pressão e falta de lívre arbítrio. E por parte dos clientes uma ilusão de solução imediata e fantástica de seus problemas. 

 

Faz sentido compreender que mais importante que a ferramenta é o pensamento sistêmico e a congruência de quem o aplica. A consciência ampliada e a autorresponsabilidade de cada um. O fluxo natural desses movimentos sistêmicos no direito nos possibilita verificar como os sistemas funcionam, onde pequenas mudanças podem trazer resultados significativos e duradouros.

 

Portanto, vamos construir com zelo e observação novas formas de solucionar conflitos, verificar os efeitos de nossas ações em nossos projetos. Vamos experimentar pequenos passos com clientes, e principalmente vamos cuidar do nosso autodesenvolvimento. Assim, os profissionais do direito vão de fato gerar transformações: de uma cultura litigante a uma consensual.

Nem sempre a causa e o efeito estão próximos no tempo e espaço, eis que nem sempre a maneira de vermos a realidade corresponde de fato a realidade em sistemas complexos.

Sejamos cautelosos... nada de "pé na porta": se precisa forçar é porque não serve. E logo virá o feedback de compensação. Vamos sair da luta e entrar no fluxo! eh o que eh:!

 

 

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