Depressão e advocacia

25.07.2019

Períodos prolongados de melancolia, desinteresse pela vida, tristeza sem razão aparente. As pequenas tarefas do dia-a-dia tornam-se um fardo, até mesmo as atividades mais agradáveis e queridas são abandonadas. Sentimos falta de energia, o cansaço do corpo e da mente se tornam persistentes e perdemos o sentido de tudo, esta é a chamada depressão.

 

A depressão que pode ser desencadeada por acontecimentos significativos da vida, como a morte de alguém querido, problemas financeiros, padrões de pensamento, do tipo sou inútil, sem valor, incapaz. As causas são diversas e dependem do contexto de cada um.

Na área do direito, é cada vez mais comum os profissionais sofrerem com a depressão e com os transtornos de ansiedade. As principais causas são: a falta de reconhecimento e a crescente desvalorização do seu trabalho, o excesso de competitividade, concorrência, jogos de poder, sentimento de incapacidade diante da morosidade do judiciário, pressão no cumprimento dos prazos e dos clientes pelo resultado e a dificuldade em cobrar e receber honorários. Tudo isso exige competências e habilidades em lidar com suas próprias emoções, pensamentos e sentimentos.

 

No entanto, demonstrar emoções ainda é um tabu, já que a cultura do litígio exige uma postura que demonstre força, seriedade, segurança. Falar sobre um tema tão sério como a depressão é demonstrar fraqueza, vulnerabilidade, falibilidade, e estar exposto não parece ser uma boa ideia, assim, quem passa por isso não fala, não assume, não escreve a respeito e pouco é divulgado sobre o tema.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde a depressão é hoje a segunda maior causa de afastamento ao trabalho, e a previsão é que em 2020 passe a ser a primeira, 20% da população mundial já desenvolve os sintomas. Como é considerada uma doença, os profissionais de saúde tratam apenas os sintomas e não a causa.

 

A depressão, síndrome do pânico, ainda são “doenças” tratadas de forma pejorativa pela sociedade, famílias e organizações, que não analisam o contexto do indivíduo, a quantidade pressões sofridas no dia-a-dia, medos, instabilidades emocionais e financeiras, verdadeiras causas. A Depressão é na verdade um sintoma para algo que não está bem, que vem antes e pode inclusive estar ligada a questões sistêmicas familiares.

 

Segundo Augusto Cury, além da depressão, 80% da população mundial desenvolverá a Síndrome do Pensamento Acelerado, causada pelo pensar excessivo, pela grande quantidade de informações, que impedem o cérebro de descansar, causando esgotamento mental, uma verdadeira bomba emocional.

Nas palestras que ministro, peço para que os advogados levantem a mão para indicar se tem os seguintes sintomas: ansiedade excessiva, irritabilidade, flutuação emocional, inquietação, intolerância a contrariedades, déficit de concentração, esquecimento, fadiga excessiva e cansaço ao despertar, dores de cabeça ou musculares, queda de cabelo. E a resposta é sim para a maioria dos sintomas.

 

Converso com muitos advogados que me relatam sobre histórico de depressão, síndrome do pânico, fobia social, profissionais que já tiveram escritórios com muitos clientes e, que hoje tem medo de voltar a advogar, de lidar com pessoas, de sair de casa.

 

No campo das Constelações Familiares, podemos observar através de um olhar sistêmico alguns padrões em relação às pessoas que sofrem de depressão durante longos períodos da vida, elas tinham dificuldade de aceitar os pais como eram, não aceitaram suas atitudes diante da vida e, consequentemente, não os honram. Presos ao amor infantil, fixaram-se naquilo que acreditam ter deixado de receber e não conseguem olhar para a dádiva do que receberam.

 

Para Hellinger, “a pessoa que respeita os pais e os toma sem reserva, toma tudo que eles têm de bom – isso flui para dentro dela. O estranho é que aquele que toma os pais dessa forma não é afetado pelas fraquezas ou pelo destino adverso dos pais. Quando uma pessoa rejeita os pais, mais vai imitá-los”.

 

No contexto cada vez mais estressante que vivemos, é o momento de estimular os profissionais no estudo do autoconhecimento, da autoliderança, da inteligência emocional, como forma de fazê-los enxergar melhor suas habilidades, suas capacidades, valores, proporcionando-lhes ampliação de consciência e melhores maneiras de lidar com os desafios do dia-a-dia.

 

Acredito que está na hora dos nossos Órgãos de Classe olharem para a saúde física e mental dos profissionais, ao invés de estimularem apenas a especialização na área. Não há excelente profissional sem autoconfiança, sem respeito ou sem saúde!

 

 

 

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