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Analisando se vale a pena ter sócios na advocacia

Ter ou não ter, eis a questão! Essa resposta depende muito do seu perfil. Você gosta de trabalhar o tempo todo com alguém? Você sabe ouvir? Quer sempre ter razão? Desenvolveu competências relacionais? Encara o autoconhecimento como missão de vida? Está disposta a crescer todos os dias? Sabe lidar com conflitos?

Embora pareça um teste da Revista Capricho... (pergunte aos mais velhos) essas respostas são relevantes para sua decisão. Sociedade é um casamento e como tal exige muita entrega, resiliência, compreensão, diálogo e abertura para mudança. Quando casamos pelos motivos “errados” as chances de sucesso são pequenas. Por outro lado, pelos motivos “certos” ter uma sociedade significa desafiar-se todos os dias, em autoconhecimento e autogestão. Eh muito enriquecedor, pode ser uma das melhores experiências da sua vida e uma escolha que vai impulsionar seu escritório.


Como certo e errado são percepções subjetivas, neste artigo vou pontuar dois fatores críticos de sucesso que podem contribuir com suas reflexões, portanto de 0 a 10...


O quanto essa escolha tem a ver com uma possível falta de autoconfiança?

Reflita sobre qual o real motivo está por trás da intenção de ter alguém ao seu lado. Se você não se sente pronta para construir e seguir sozinha no seu próprio escritório, provavelmente você busca no outro segurança e aprendizado. Ok, se for. Daí tenho outra pergunta: se você tivesse essa segurança e conhecimento sobrando para seguir sozinha, buscaria um sócio? Se a resposta for não, seja verdadeiro com o outro sobre esse ponto, declare sua intenção. “Quero aprender com você e ganhar segurança, com o tempo tenho vontade de seguir sozinha do meu modo.”

Em geral, nas sociedades com esse tipo de contrato, quem sabe... ensina e quem quer aprender... faz, compensação esta que funciona por um tempo. Por vezes, quem está acostumado com o papel de aprendiz não se sente confortável em assumir responsabilidades (pelo mesmo motivo que o levou a procurar um sócio) e o peso acaba todo de uma lado só, quem ensina acaba tendo que fazer também.


Quando não temos experiência, segurança e conhecimento para empreender podemos buscar um mentor que nos acompanhe quando e se for preciso. Também podemos contratar uma Consultoria especializada enquanto aprendemos com o dia a dia e nos diversos cursos que existem, por meio de professores.


Perceba que declarar sua intenção a um mentor, a um consultor ou aos seus professores será muito mais confortável do que para um sócio. E sabe porque? Porque os papéis nesses tipos de contratos estão muito mais alinhados as intenções das partes do que um contrato de sociedade.


O quanto você tem Permissão Interna para confiar no outro?

Se seu caso não é falta de autoconfiança, vamos então pensar em termos de confiança. Essa é uma questão muito mais sobre você do que sobre o outro em si. Veja que falei em permissão, pois se você tem crenças limitantes, memórias, experiências ”traumáticas” quanto a isso, o outro pode ser o melhor e mais confiável sócio do mundo que não vai adiantar muito. O medo vai colocar você no modo sobrevivência e nesse estado não existe abertura.

E se você tem alta conformidade, uma leve tendência ao perfeccionismo e costuma confiar somente no que você faz, repense! Pois, de duas uma, ou você terá que revisar tudo que for feito ou fará sozinha, o que é até mais provável, já que daqui posso escutar você pensando... mais fácil eu mesma fazer! Não julgo, afinal uma falha grave pode significar a perda de um nome e prejuízos extremos aos clientes.


Importante sentir se existe na sua vida um padrão de desconfiar dos outros ou confiar somente em si. Quanto mais repetitivos ou impactantes forem esses padrões, maiores as chances de você inconscientemente estar vinculada a alguma dinâmica do seu sistema familiar. Uma lealdade sistêmica nos coloca em papéis e lugares que não são nossos, e o fluxo da vida não segue tão bem. Então, quando se sentir profundamente paralisado ou seguindo em um caminho que não parece muito com o que o seu coração a anseia, reflita se o que você está fazendo tem mais a ver com a história dos que vieram antes de você ou com a sua mesmo.


Dito isso, seguimos para além da confiança ...


bjs

Marcella


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